Poder para o Povo Preto na Universidade

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Gabriela Vallim tem um sonho! A estudante de 20 anos, está atualmente cursando o 3º ano de Jornalismo na FMU da capital, e já encontrou alguns meios efetivos para  alcançá-los. O forte ativismo pela  igualdade racial e  afirmação da identidade negra, fica está exemplificado na participação em dois coletivos com essa finalidade, e como ela mesmo define “no acesso dos pretos  à universidade, na sociedade, cultura, e na valorização da suas raízes africana”.

Em um deles chamado “Coletivo Fayola Odara”,  a atuação é na zona leste da capital, por meio de oficinas, debates e saraus na região.

“ Atuamos com mulheres negras, da periferia, que é o recorte da sociedade, que mais encontra travas no acesso.  Entendemos a dificuldade que ela encontra no trabalho, na universidade e na sociedade “, explica Gabriela.

Por experiência própria, Gabriela conta que mesmo com todo apoio da mãe em incentivar sua afirmação, somente aos 15 anos começou a valorizar sua beleza, a se reconhecer como uma fonte da cultura africana, e passou a ter a força para atuar  visando nessa transformação social. Seu primeiro contato com o ativismo aconteceu na Feira Preta, encontro de cultura negra, com diversas atividades, realizado anualmente.

O coletivo existe desde 2013, e já foi um dos beneficiados do Programa VAI, da prefeitura de São Paulo, que oferece verba para projetos culturais da periferia. Atualmente, está em pleno funcionamento, porém de forma independente.

Já sua força de vontade em mudar a situação quanto ao acesso negro à universidade, a levou também a atuar na construção de um coletivo de negros na FMU.  A ideia surgiu durante a Semana de Comunicação no ano passado, em atividades propostas pelos docentes negros do grupo FIAM- FAAM, para abordar a questão negra. Esse ano o coletivo tem “ tomado corpo”

O coletivo irá tratar do acesso do negro à universidade, e sua permanência e identidade, além de integrar os negros da universidade, incitar o debate das questões raciais, promove o recorte racial das pautas, além das propostas de intervenção na universidades para promoção da igualdade racial.

“ O ambiente da universidade é marjoritariamente branco e elitizado, porém com os programas de acesso como ProUni e Fies essa realidade tem mudado. O nosso coletivo tem objetivo de oferecer acolhimento aos estudantes negros no campus”.

Gabriela diz que é evidente que na universidade, apesar do aumento de estudantes negros, ainda não é de todos.  “ Não há nada na grade de aulas que valorize a história dos negros na arte, na imprensa, e mesmo com leis que assegurem que esses temas devem  estar inclusos em qualquer grade de aulas  nas escolas.”

A estudante se refere a Lei 10.639,  de 2003, que torna obrigatório o ensino da História e Cultura Africana e Afro-Brasileira

Umas das suas motivações no coletivo, é instrumentalizar os estudantes negros  em casos de racismo, além de promover a reafirmarção da identidade para ampará-los também em casos, como aconteceu com ela:

No primeiro ano do curso, um amigo a avisou que seu cabelo estava cheio de papel picado nas costas, indicando que alguém havia de propósito os jogado.

Ao  buscar ajuda sobre esse caso, procurou um professor que havia estudado as comunidades Quilombolas. Ele respondeu que nada poderia fazer.

” Um acontecimento desse dentro de uma Universidade, comprova o quanto o acolhimento e a união dos pretos para a sua reafirmação dentro das instituições se faz necessária”.

O coletivo já contou com um evento, o Pré EECUN – Pré Encontro de Estudantes e Coletivos Universitários Negros,  que abordou a violência na juventude negra, a falta de abordagem da sua história na constituição do mundo dentro dos conteúdo na universidade.

Além disso os trotes violentos que reafirmam o racismo, as dificuldades em se manterem no espaço devido as injustiças sociais que estão submetidos.

A luta é por menos desigualdades por esperança de dias melhores.

Sara Puerta

ueesp.org.

 

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